
A Chef Kate Armstrong (Catherine Zeta-Jones) comanda com mão-de-ferro a cozinha de um sofisticado restaurante de Manhattan. Da mesma maneira, ela segue sua vida com uma seriedade e intensidade que acabam por intimidar todos ao seu redor. Seu ego, sua competência e sua razão de viver estão depositados no seu sucesso como chef de culinária francesa, assim como nos seus pratos extremamente preparados com absoluta perfeição: desde o preparo do molho e temperos até a estética da montagem.
Porém, a vida de Kate muda quando sua irmã falece e sua pequena sobrinha Zoe (Abigail Breslin) passa a morar com ela. Ao mesmo tempo, um outro chef, Nick Palmer (Aaron Eckhart), especializado em culinária (e ópera) italiana, é contratado para ser seu sub-chef. A responsabilidade de cuidar de uma criança e a presença espalhafatosa de um “intruso” que muda totalmente a seriedade da rotina estressante da cozinha do restaurante, fazem com que Kate ponha em cheque todos os valores que ela priorizava até então, dando-se conta então de que a culinária não era toda a sua vida, mas sim apenas uma parte dela.
Nesse ínterim, as constantes desavenças entre Kate e Nick geram tensões emocionais que Kate até então tinha esquecido que existiam. A ternura e o trauma que abalam Zoe também tocam sentimentos maternos em Kate, os quais ela nunca pensara que existissem. As relações vão atingindo níveis cada vez mais profundos, conforme Kate vai perdendo o controle de sua cozinha e de sua vida, até então milimetricamente regradas, como seus pratos milimetricamente perfeitos.
O final do filme revela o quão frágeis são os valores que assumimos e as prioridades que escolhemos para nossas vidas. A não-expectativa do inesperado pode nos acomodar e nos enclausurar em uma rotina que nos aprisiona, e também os que estão ao nosso redor. A trilha sonora intimista e a fotografia clean dão o tom ora para as relações frias e secas de Kate, ora para as mudanças graduais de seu comportamento e picos de emoção.
O drama do filme linkado à seriedade de Kate é quebrado pelo hilariante comportamento de Aaron e à ternura de Zoe, trazendo momentos de comédia e situações inusitadas no filme, arrancando risos e simpatia da platéia. Um filme delicado, de narrativa contida, uma ótima opção para se refletir sobre qual rumo queremos dar à nossa existência, e se nossas vidas são realmente aquilo que nós queremos que seja.
Sem Reservas é uma refilmagem hollywoodiana do alemão Simplesmente Martha (2001). Na verdade, é mais uma reciclagem do que uma refilmagem. Não agrega nada de diferente ao original, bem mais acizentado e pesado. A atuação de Abigail Breslin é infinitamente superior à atuação da pequena alemã mimada Máxime Foerste. De qualquer maneira, se você já assistiu a Simplesmente Martha, ainda valerá a pena provar da versão norte-americana, delicada e apetitosa Sem Reservas.
Ficha Técnica
Gênero: Comédia dramática
Tempo: 103 min
Lançamento: 10 de Agosto de 2007
Classificação: Livre
Distribuidora: Warner Bros.
Elenco: Catherine Zeta-Jones, Aaron Eckhart, Abigail Breslin, Patricia Clarckson, Jenny Wade, Lily Habe.
Dirigido por: Scott Hicks
Produzido por: Sergio Aguero, Kerry Heysen
Fotografia: Stuart Dryburgh
Trilha Sonora: Philip Glass
Mais informações sobre o filme podem ser encontradas no Site Oficial.
Confira as músicas do filme na sessão Trilhas Sonoras.